Gaita-BS - Grupo de Gaita da Baixada Santista
 
   
 
The Blues

"Prestes a completar 150 anos de vida, ele deixou de ser um méro gênero musical, para se tornar um dos mais importântes patrimônios da humanidade. Com uma história riquíssima e cheia de reviravoltas, já viveu fases de ouro, renasceu das cinzas, atravessou um oceano para ganhar novo fôlego e hoje é um som reconhecido em todo o planeta"

 
 
Como explicar o sucesso global do blues neste final de milênio? Será o carisma do "embaixador " B.B.King, um senhor de 73 anos capaz de manter a inacreditável média de 250 shows por ano? Ou será a fidelidade de Eric Clapton ao estilo que o alçou ao posto de um dos maiores popstar da Terra? Pode até ser o estouro mundial de Jonny lang, um blues boy de surpreendentes 18 anos que vem seduzindo garotas que até ontem idolatravam as spice Girls.

As hipóteses acima podem muito bem servir de resposta para a primeira questão. Mas podemos resolver a dúvida de forma mais fácil: basta constatar o poder de impacto da música criada pelos escravos negros nas plantações de algodão do sul dos Estados Unidos em meados do século XlX. O blues não é apenas um estilo musical. Acima de tudo, é um estado de espirito.

Talves seja por isso que em Moscou, Amsterdã ou São Paulo, todo mundo reconhece um blues depois de poucos acordes. Afinal, aquele som traduz algo que o mundo todo já sentiu: a dor. Em recente entrevista à revista Rolling Stone, o mestre B.B.King tentou esplicar com suas palavras o sentimento que une os milhões de amantes de sua musica. "As pessoas vivem me dizendo: 'Eu briguei com minha garota e agora só escuto as suas músicas' Isso não é exatamente lisonjeiro, mas eu não fico mais surpreso com o fato das pessoas procurarem a dor da minha música. Assim é o blues"

 

Chorando no Campo

O Blues nasceu para dar voz aos escravos do sul dos Estados Unidos. a partir da década de 1860 os spirituals - canções religiosas entoadas pelos negros africanos desde sua chegada à América - sofreram uma mutação fundamental. Além de apelar para deus, os escravos começaram a curar suas dores de amor através da música.

A transgressão não estava somente na conotação amorosa e sexual das letras do blues. No formato musical, o estilo também marcou uma ruptura. Fugindo da complexidade do jazz e da rigidez dos eruditos, o blues nasceu como uma música crua. Em sua grande maioria as canções têm apenas acordes. construídos segundo a famosa escala pentatônica, uma sequência básica de apenas cinco notas musicais.

Com essa base harmônica quase simplória, o estilo disseminou-se rapidamente pelo sul dos Estados Unidos. Tocar e cantar blues era teoricamente simples. Mas o que transformava um mero curioso num verdadeiro bluesman era o sentimento que ele colocava em sua interpretação.

Durante o século XlX, o blues era uma tradição oral passada nos campos de geração para geração. Enquanto os negros soltavam suas emoções, os brancos viam o prático da coisa. Para os fazendeiros, as work-songs (canções de trabaho) ajudavam a imprimir um ritmo ao trabalho no campo e deixavam os escravos mais alegres. coma a emancipação dos escravos, os negros passaram a ser trabalhadores rurais assalariados. E as work-songs deram lugar ao canto solitário de um homem trabalhando a terra.

 

"A REVOLUÇÃO URBANA"

No final século XlX, a alta taxa de natalidade provocada pela emacipacão dos escravos proporcionou outros tipos de trabalho aos negros. Muitos deixaram os campos e partiram para a perifiria das grandes cidades do sul, como Chicago, Memphis e a região do Delta do Mississipi, nos estados de Arkansas, Tennessee, Alabama, Luisiana e Mississipi, para trabalhar nas primeiras metálurgicas e refinarias do pais ou em canteiros de obras. Mas a maior parte deles foi parar nos entrepostos de algodão e tecidos.

Esse mivimento em direção as cidades do sul atingiu seu pico entre a virada do século XX e o final da Primeira Guerra Mundial (1914-1918). A formação de guetos foi inevitável. Neles, os negros ralavam, sofriam e também divirtiam-se. A procura por prazer em prostíbulos, bares e casas de jogo tinham um ponto em comum: a música. Neste ambiente, explodiu a revolução do blues urbano.

Quando conseguiam descolar instrumentos musicais, os negros tocavam o banjor, um ancestral do banjo de origem africana, e o fiddle, espécie de violino trazido para os Estados Unidos pelos irlandeses. O violão apareceria logo depois, graças a influência espanhola vinda do México.

Os primeiros bluesman profissionais formam uma categoria à parte. Incapacitados para o trabalho manual, cegos e deficientes encontravam na música seu meio de vida. Blind Lemon Jefferson, Blind Willie McTell e outros tantos Blinds (cegos) começaram asim. Também nascia a tradição do músico itinerante e da vida na estrada.

 

A MALDICÃO DO BLUES

Diz a lenda que os verdadeiros bluesmen sempre trazem uma história de tragédia e dor por trás de seu sucesso, como os velhos escravos do sul dos Estados Unidos. Será?

 

 

 

 

ROBERT JOHSON

Morto aos 24 anos, Robert johnson transformou-se na maior lenda do blues. Também, pudera. Dizem que o cara fez um pacto com o "Coisa-Ruim" numa certa encruzilhada e assim tornou-se o maior bluesman da sua época, história contada no filme classico " CROSSROADS BLUES". O negócio era simples: a glória em troca da alma. Mas pelo jeito o trato não rendeu o combinado. Johnson morreu sem conhecer a fortuna, foi possivelmente envenenado pelo marido de uma de suas amantes.

 

B.B.KING

Neste caso o problema é com a mulherada. Desde que foi abandonado por sua primeira esposa, martha, que preferiu deixar o cara solto para cair na estrada, ele nunca mais se acertou. Resultado: B.B.King teve "15 filhos com 15 mulheres diferentes" . Entre eles, estão uma ex-traficante de drogas, um bluesman, um pastor protestante e algumas donas-de-casa. Seu caçula cumpre pena de dezoito anos em uma prisão no Texas por assaltos e tráfico de drogas.

 

ERIC CLAPTON

Clapton nunca conheceu seu pai. Só veio a saber que ele era um soldado canadense em serviço da Inglaterra durante a segunda Gerra em 1998. No auge do sucesso do Cream, o guitarrista se apaixonou pela mulher do seu melhor amigo, o beatle George Harrison. O motivo da discórdia era a modelo Patty Boyod. Essa confusão amorosa empurrou Clapton para o fundo do poço, mas precisamente para a heroína e o alcoolismo. Em 91, quando tudo estava numa boa, Clapton perdeu seu filho Conor, de 04 anos. O garoto caiu do apartamento da mãe em Nova York, que ficava no 53º andar. Depois, Clapton escreveu "Tears in Heaven", uma forma de exorcismo para a morte do filho.

 

STEVIE RAY VAUGHAN

Aí esta um sujeito que comeu o pão que o diabo amassou. Muito antes de estourar como o maior bluesman dos anos 80, Steve já escrevia sua longa história de dependência de cocaína e álcool em Austin, Texas, época em que era mais conhecido como "Indian". Acabou morrendo de forma estúpida, num acidente de helicópetero ocorrido em 1990, durante uma turnê com Eric Clapton, poucos meses depois do guitarrista ter se livrado do vício, numa batalha que quase o levou à morte várias vezes. ironia é pouco.